Coral sem Laringe Canta contra o Cigarro

Por Charles Nisz | Vi na Internet – qua, 11 de dez de 2013

Foto: YouTube
O palco do auditório do MASP presenciou um coral muito diferente antes de uma apresentação do Coral da USP. O Grupo Sua Voz do A.C.Camargo Cancer Center é composto por 12 pacientes que retiraram a laringe após serem diagnosticados com câncer, conforme noticia o site Adnews.
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Acompanhados de fonoaudiólogos, os pacientes interpretaram All you need is love e She loves you, dos Beatles. Ao fim da apresentação, eles exibiram placas com os dizeres “Escute a voz deste Coral – Não Fume”. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o cigarro é o principal fator de risco para o câncer de laringe, com 7 mil novos casos/ano no Brasil.
Composto de pessoas com mais de 60 anos, o coral faz uso de voz esofágica, prótese, laringe electrónica (vibrador), fala bucal ou articulação de sons. A segunda voz, coube aos fonoaudiólogos. “A combinação das vozes grossas dos pacientes, intercaladas com as vozes dos fonoaudiólogos, fica muito especial", diz Elisabete Carrara de Angelis, diretora de Fonoaudiologia Oncológica do A.C.Camargo.
Nesta segunda, 9 de dezembro, o Coral fez uma apresentação no Atrium do A.C.Camargo, em São Paulo, para comemorar o dia do Fonoaudiólogo. O espetáculo também serviu para mostrar como a sociedade convive com pessoas que usam métodos não convencionais de fala.
"Ainda hoje, aqui no Brasil, as pessoas desligam o telefone quando ouvem alguém que se utiliza da laringe eletrônica, por pura desinformação. Isso não acontece em países cuja população é mais instruída sobre este assunto", destaca Elisabete.
Qualquer pessoa submetida à laringectomia parcial ou completa estando ou não em tratamento em outra instituição pode cantar no Coral. O convite estende-se a familiares e cuidadores desses pacientes. Mais informações em www.accamargo.org.br/sua-voz/. Bacana demais, né?


Cigarro ‘apodrece’ cérebro e danifica memória, diz estudo


O cigarro “apodrece” o cérebro ao danificar a memória, o aprendizado e o raciocínio lógico, segundo um estudo feito por pesquisadores da Universidade King’s College London, na Inglaterra.
A pesquisa feita com 8,8 mil pessoas com mais de 50 anos mostrou que alta pressão sanguínea e estar acima do peso também afetam o cérebro, mas não na mesma medida.
Cientistas envolvidos na pesquisa afirmam que as pessoas precisam perceber que o seu estilo de vida afeta tanto a mente quanto o corpo.
A pesquisa foi publicada na revista científica “Age and Being“.
Os pesquisadores investigaram o elo entre o cérebro e as probabilidades de ataque cardíaco e derrame.
Os voluntários da pesquisa – todos com mais de 50 anos – participaram de testes de memorização de novas palavras. Eles também eram instigados a dizer o maior número de nomes de animais em um minuto.
Os mesmos testes foram realizados após quatro anos e depois oito anos.
Os resultados mostraram que o risco de ataque cardíaco e derrame “estão associados de forma significativa com o declínio cognitivo”. As pessoas com maior risco foram as que mostraram maior declínio.
Também foi identificada uma “associação consistente” entre fumo e baixos resultados no teste.
“O declínio cognitivo fica mais comum com o envelhecimento e para um número cada vez maior de pessoas interfere com o seu funcionamento diário e bem-estar”, diz Alex Dregan, pesquisador que trabalhou no estudo.
“Nós identificamos uma série de fatores de risco que poderiam ser associados ao declínio cognitivo, e todos eles podem ser modificados. Nós precisamos conscientizar as pessoas para a necessidade de mudanças de estilo de vida por causa do risco de declínio cognitivo”.
Para Simon Ridley, pesquisador da entidade Alzheimer’s Research UK, o declínio cognitivo ao longo dos anos pode levar a doenças como demência.
Outra entidade britânica de estudo do Alzheimer – a Alzheimer’s Society - emitiu uma nota na qual elogia o estudo da King’s College London.
“Todos sabemos que cigarro, alta pressão sanguínea, altos níveis de colesterol e alto índice de massa corpórea fazem mal ao coração. Essa pesquisa acrescenta vários indícios de que isso pode fazer mal à cabeça também”.
Deixe o seu comentário no Verdade Gospel.
Fonte: BBC Brasil

Quais são as doenças do CORAÇÃO?


No mundo ocidental há mais pessoas que sofrem e morrem por causa das doenças cardíacas do que por qualquer outra doença. A causa subjacente destas e doutras afecções comuns do coração é uma alteração das artérias chamada aterosclerose, que é uma variedade da arteriosclerose.

1. A aterosclerose: Produz-se por uma obstrução das paredes das artérias, provocada por depósitos gordos. A artéria endurece e, eventualmente, pode ficar bloqueada. Este processo de endurecimento chama-se aterosclerose e é a principal causa das doenças do coração.

2. A doença coronária: A doença coronária é a responsável por quase todos os casos de “ataque cardíaco”. Dos que sofrem ataques, cerca de 25% morre dentro das horas seguintes. Outros 10% morrem dentro das quatro semanas seguintes. A aterosclerose produz-se quando as artérias ou as suas ramificações ficam bloqueadas, parte do músculo cardíaco que elas irrigam fica privada de oxigénio, e tudo isto provoca um estado de isquémia miocárdica, com dificuldade respiratória e dores no peito (angina), especialmente ao fazer exercício ou ao estar num estado de tensão emocional.

3. A angina de peito: A angina é a dor que se sente na região torácica interna, por detrás do esterno, por causa da diminuição do fluxo sanguíneo em algum sector do músculo cardíaco. A dor, o incómodo ou a sensação de pressão podem ser intensos e o nível de angústia varia. A dor pode difundir-se pelo ombro e o braço (geralmente do lado esquerdo), mas também pode afectar ambos os braços, o pescoço e até a parte inferior do rosto. Estes sintomas parecem-se com os de um ataque de coração, mas, regra geral, duram apenas alguns minutos.

4. O ataque cardíaco: O ataque cardíaco acontece quando a circulação do sangue através de uma artéria coronária, ou de uma das suas ramificações maiores, fica interrompida por um trombo ou coágulo sanguíneo, por causa, principalmente, de uma condição avançada de aterosclerose. A região do músculo cardíaco danificada pela falta de sangue é denominada enfarte. Se o enfarte for reduzido e o sistema condutor do coração não se encontrar afectado, há uma boa probabilidade de recuperação.

5. A hipertensão: A hipertensão ou tensão sanguínea elevada é a causa seguinte mais comum e perigosa das doenças cardíacas e dos vasos sanguíneos. A hipertensão, denominada “assassino silencioso”, não produz sintomas durante os primeiros quinze anos e passa inadvertida se não se controla a tensão sanguínea.

6. Insuficiência cardíaca: A insuficiência cardíaca ou insuficiência cardíaca congestiva acontece quando o coração não pode continuar a bombear o sangue eficientemente. Pode ser o resultado de diversas causas: um coração debilitado por um ataque ou outra doença local, como febre reumática ou endocardite infecciosa; válvulas defeituosas do músculo cardíaco que não controlam bem o fluxo de sangue no interior das câmaras do coração, o que torna a acção de bombeamento ineficaz; e anemia, doença em que o coração deve bombear uma quantidade adicional de sangue para poder compensar a menor quantidade de oxigénio levado pelo sangue.


Se o enfarte for reduzido e o sistema condutor do coração não se encontrar afectado,
há uma boa probabilidade de recuperação.

TESTE DE RISCO
Ponha à prova o seu coração. Confirme aqui as suas possibilidades de sofrer um enfarte.
 
TABACO
0 pontos Nunca fumou
1 ponto Ex-fumador, fumador de charuto ou cachimbo (sem inalar)
2 pontos Menos de 10 cigarros por dia
8 pontos 10 a 20 cigarros por dia
9 pontos 21 a 30 cigarros por dia
10 pontos 31 ou mais cigarros por dia

SEXO E IDADE
0 pontos Homem de 20-30 anos; Mulher até aos 55
1 ponto Homem de 31-40 anos
2 pontos Homem de 41-50 anos; Mulher de mais de 55 anos
3 pontos Homem de 46-50 anos; Mulher sem ovários
5 pontos Homem de 51-60 anos; mulher cuja(o) irmã(o) tenha sofrido um enfarte
6 pontos Homem de 60 anos ou mais; Mulher diabética

PESO
0 pontos 5 kg abaixo do peso normal
1 ponto Peso normal
2 pontos 5-10 kg acima do peso normal
3 pontos 11-19 kg acima do peso normal
7 pontos 20-25 kg acima do peso normal
6 pontos 25 kg acima do peso normal

ACTIVIDADE FÍSICA
0 pontos Trabalho físico e/ou actividade desportiva intensa
1 ponto Trabalho físico e/ou actividade desportiva moderada
2 pontos Trabalho físico e/ou actividade desportiva leve
3 pontos Trabalho sedentário e/ou actividade desportiva moderada
4 pontos Trabalho sedentário e/ou pouca actividade desportiva
6 pontos Inactividade física

ANTECEDENTES
0 pontos Ausentes
FAMILIARES 1 ponto Pai ou mãe de mais de 60 anos que tenha sofrido de doença coronária
2 pontos Pai e mãe de mais de 60 anos que tenham sofrido de doença coronária
3 pontos Pai ou mãe com menos de 60 anos que tenha sofrido de doença coronária
7 pontos Pai e mãe com menos de 60 anos que tenha sofrido de doença coronária
8 pontos Pai ou mãe e tios de ambas as partes que tenham sofrido de doença coronária

TENSÃO ARTERIAL
0 pontos 110-119 mmhg
1 ponto 120-130 mmhg
2 pontos 131-140 mmhg
6 pontos 141-160 mmhg
9 pontos 161-180 mmhg
10 pontos 180 mmhg ou mais

GLICÉMIA mg%
0 pontos Em jejum, glicémia abaixo de 80
1 ponto Diabéticos na família
2 pontos Em jejum, acima de 100. Na primeira hora depois da primeira mostra, acima de 160.
5 pontos Em jejum, acima de 120. Na primeira hora depois da primeira mostra, acima de 160.
6 pontos Diabetes controlada mediante tratamento.
10 pontos Diabetes não controlada.

COLESTEROL
0 pontos Abaixo de 180
TOTAL mg% 1 ponto 181-200
2 pontos 201-220
7 pontos 221-249
9 pontos 250-280
10 pontos 281-300

Some os pontos e compare: Entre 0 e 7 pontos: sem risco. Entre 8 e 16 pontos: risco potencial. Entre 17 e 39 pontos: risco moderado. Entre 40 e 58 pontos: risco elevado. Entre 59 e 66 pontos: faixa de risco. 67 pontos ou mais: perigo máximo.

 
Defeitos congénitos do coração

BASTAM 30 MINUTOS!

BASTAM 30 MINUTOS!
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Estudos apresentados no XVI Congresso Mundial de Cardiologia, que recentemente teve lugar em Buenos Aires, mostraram que bastam 30 minutos de exposição ao fumo do tabaco para que os não fumadores sofram alterações nas suas artérias que aumentam o risco cardíaco.
Quem está exposto habitualmente ao tabagismo passivo tem um risco cardiovascular quase tão elevado como o dos fumadores: – os não fumadores que inalam fumo alheio experimentam um aumento de 30% no seu risco de doença coronária. Mas o mais alarmante é a velocidade com que o tabagismo passivo lesa o sistema cardiovascular.
“Sabemos que apenas trinta minutos de exposição ao fumo do tabaco alheio é suficiente para observar mudanças na função das artérias dos não fumadores”, afirma o Dr. Joaquín Barnoya, director de investigação da Unidade de Cirurgia Cardiovascular da Guatemala e Professor da Universidade Washington, em St. Louis (EUA). “O fumo do tabaco em segunda mão produz um dano directo ao endotélio (membrana interna dos vasos sanguíneos), responsável pela dilatação e contracção das artérias.”
Vários estudos mostraram que o tabagismo passivo causa lesões cardiovasculares equivalentes entre 80 a 90% às lesões de que sofrem os fumadores.
Daí a importância dos ambientes livres de fumo. “As novas evidências estão em consonância com o já conhecido e ajudam a compreender a diminuição rápida da doença cardíaca depois da implementação de ambientes livres de fumo de tabaco.”
“ Na Itália, Califórnia (EUA) e noutros lugares do mundo, que implementaram ambientes livres de fumo, observou-se que a mortalidade e incidência de enfartes do miocárdio diminuiu rapidamente”, sublinha o Dr. Joaquín Barnoya.
Resta saber se em Portugal, onde a lei vigora há cerca de um ano, os resultados são semelhantes. Mas tenhamos esperança de que assim seja.
Já desde o início da sua publicação (1942) que a Saúde e Lar vem alertando os seus Leitores para estes perigos. É por isso, para nós, muito compensador constatar que, cada vez mais, a Ciência nos vai dando razão, embora um pouco a conta-gotas... Mas mais vale tarde do que nunca!

Notícias Médicas/S&L

O Tempo Puxa O Gatilho


Este blog, tem como objectivo contribuir: informar, sensibilizar e motivar ao abandono do tabaco. Esta é uma iniciativa que vem da experiência que é possível Deixar de Fumar e que o Tabaco Mata.

Um Pouco de História
O uso de plantas para mascar ou fumar não é novo. Esses hábitos existiam séculos antes de Cristóvão Colombo ter chegado ao Novo Mundo. Colombo viu que os indígenas mastigavam folhas secas de uma planta que ele desconhecia, que era o tabaco. E foi ele, Colombo, que trouxe para a Europa esse costume. Outros povos, como os maias, por exemplo, tinham hábitos semelhantes, usando uma mistura enrolada em folhas de milho.
Razões diversas podem ter conduzido certos povos ao uso do tabaco. Entre elas, salientamos as razões místicas – os sacerdotes afirmavam que as folhas do tabaco permitiam ligar o Céu à Terra; as ornamentais – o tabaco era cultivado como planta ornamental nas cortes de Portugal e Espanha; as sanitárias – pensava-se, nesse tempo, que o tabaco acalmava as dores de cabeça, e Jean Nicot de Villemaire aconselhava Catarina de Médicis, rainha de França, a usar uma cocção de folhas de tabaco para tratar as suas frequentes enxaquecas. Linneu, o célebre naturalista sueco, inspirou-se no nome de Nicot, para dar o nome latino ao tabaco (Nicotina tabacum); as hedonistas – as sensações proporcionadas pelo tabaco podem ser agradáveis e induzem a uma utilização mais frequente. Há ainda razões de ordem psicológica e física, que analisaremos mais adiante.

De então para cá, o uso do tabaco percorreu um longo caminho, deixando de ser um ‘luxo’ dos senhores ricos e dos dignitários, para se tornar um dos hábitos mais vulgarizados (e destruidores) do planeta.

Origem de um Hábito
Apesar de todos os avisos e conselhos, hoje começa-se a fumar cada vez mais cedo. É frequente vermos crianças de 6, 7, 8 anos a fumar. Durante a sua vida escolar, a criança segue uma de duas vias: ou se torna um fumador, ou se torna um oponente desse hábito. As razões que levam uma criança a querer experimentar o tabaco são de variada ordem, mas estão quase todas relacionadas com o exemplo que vêem nos pais e com o uso que dele fazem os seus amigos e companheiros. Por vezes, começa-se a fumar só para se ser aceite no grupo.
Por outro lado, o uso do tabaco é, muitas vezes, encarado como uma forma de combater o stresse, de ajudar na concentração, um modo de parecer mais adulto ou mais seguro de si, ou até, como um meio de vencer emoções fortes. Psicologicamente, o cigarro pode ser visto por quem o utiliza como um símbolo de liberdade (“fumo porque sou livre”, especialmente entre mulheres); de autonomia (“decidi fumar, é um prazer que dou a mim mesmo de vez em quando...”).
A verdade é que o uso se vai tornando cada vez mais frequente e começa a ser quase indispensável para essas pessoas, em certas circunstâncias. Fumar deixa, então, de ser casual e esporádico para se tornar um hábito.
Com a continuação, e devido à acção das substâncias químicas presentes no tabaco (ver quadro abaixo), cria-se uma dependência psicológica e emocional que leva ao vício. O tabaco passa a ser uma “bengala” que se procura como primeiro apoio e sem a qual nada se consegue fazer. E essa dependência, esse vício, pode ser tão forte que, mesmo que não haja dinheiro para comer, a aquisição de tabaco passa à frente de outras necessidades pessoais e familiares.

ALGUMAS SUBSTÂNCIAS PRESENTES NO CIGARRO
• Acetona (solvente)
• Ácido cianídrico (câmaras de gás)
• Amoníaco (detergente)
• Arsénico (veneno poderoso)
• Benzopireno (cancerígeno)
• Butano (gás tóxico)
• Cádmio (usado em baterias)
• Chumbo (metal pesado, tóxico)
• Cloreto de vinilo (PVC, altamente tóxico)
• DDT (insecticida)
• Dimetilnitrosamina (tóxico, cancerígeno)
• Dioxinas (cancerígeno)
• Fenol (corrosivo)
• Metanol (carburante para foguetes)
• Monóxido de carbono (gases de escape)
• Naftalina (anti-traças)
• Naftilamina (cancerígeno)
• Polónio 210 (elemento radioactivo)
• Toluidina (cancerígeno, irritante)
• Tolueno (solvente industrial)
• Uretano (endurecedor de vernizes, tóxico)missing image file

O que se Inala ao Fumar
Resumindo, poderíamos dividir os produtos existentes no fumo do tabaco em quatro tipos:
1. Os cancerígenos absolutos, ou seja, as substâncias que são cancerígenas em si mesmas, cuja acumulação no organismo pode provocar um tumor maligno.
2. Os co-cancerígenos, quer dizer, as substâncias que, por si só, não são cancerígenas, mas que podem acelerar a produção de uma neoplasia iniciada por outros factores.

3. As substâncias irritantes, que provocam tosse, contracções brônquicas, além de impedirem os movimentos dos cílios do epitélio respiratório (que estimulam a secreção de mucosidade e a sua eliminação, um sistema de protecção), e de prejudicarem outros processos enzimáticos.
4. Outros tóxicos, em particular a nicotina e o monóxido de carbono. A nicotina – um alcalóide do mesmo tipo da cocaína – (2 mg em cada cigarro) actua sobre o sistema nervoso (tem um papel importante na manutenção do hábito de fumar e na viciação) e sobre o sistema cardiovascular (aumentando a pressão arterial, o ritmo cardíaco, a força de contracção do coração, o fluxo nas artérias coronárias). Tem uma acção pronunciada sobre as plaquetas sanguíneas (o que pode provocar a formação de trombos, ou coágulos (trombose) e sobre a acumulação de ácidos gordos na corrente sanguínea (favorecendo o aparecimento da arteriosclerose). O monóxido de carbono é extremamente venenoso e existe em quantidade apreciável no fumo do tabaco. A sua acção está intimamente ligada à capacidade de fixação do oxigénio, por parte das células vermelhas do sangue (hemoglobina). Dado que estas células têm uma afinidade pelo monóxido de carbono 210 vezes maior do que pelo oxigénio, quando se inala o fumo do tabaco, a hemoglobina perde a sua capacidade de fixação do oxigénio, o que provoca perturbações respiratórias (cansaço, dificuldade em respirar), circulatórias (aumenta a quantidade de hemoglobina em circulação) e no sistema nervoso (que recebe uma quantidade insuficiente de oxigénio).

Como e Onde Actuam Estas Substâncias
O fumo, assim como o álcool (falaremos dele num próximo número), são venenos sistemáticos, quer dizer, afectam todos, ou quase todos, os órgãos. Todos sabemos qual o efeito do fumo sobre a pele – rugas, palidez, perda da elasticidade; as unhas são afectadas e os olhos também.
Mas vejamos outros efeitos do uso do tabaco.

Aparelho Digestivo 
O tabaco provoca lesões várias ao nível da boca – amarelecimento dos dentes, contracção das gengivas, mau hálito, inflamações da cavidade bucal e da língua, cáries, lesões pré-cancerosas e cancerosas (lábios e língua), mesmo entre os fumadores de cachimbo. Ao nível do estômago, surgem úlceras gástricas e duodenais, refluxo gastroesofágico, aumento da produção de ácido clorídrico e problemas no pâncreas.

Sistema Cardiovascular 
Numerosos estudos revelaram um aumento das cardiopatias isquémicas e de arteriosclerose entre os fumadores. Os fumadores correm um risco acrescentado de sofrer de angina de peito e de enfarte do miocárdio. As mulheres que fumam e que tomam anticonceptivos orais correm um risco de enfarte 5 a 10 vezes maior. A arteriosclerose é o resultado da acção da nicotina e de outras substâncias tóxicas sobre o metabolismo (aumento da concentração de gorduras no sangue e o seu depósito nas paredes das veias e artérias, com o consequente endurecimento e posterior obstrução). Nos membros inferiores, sobretudo, as artérias podem ser objecto de graves processos inflamatórios e de obstruções, que, nos casos mais graves, chegam à amputação do membro. A acção da nicotina, ao aumentar a aderência das plaquetas sanguíneas, aumenta muito o risco de trombose arterial e venosa profundas bem como de embolia pulmonar.

Aparelho Respiratório 
O fumo do tabaco provoca cancro do pulmão. Na verdade, o melhor cigarro é aquele que não se fuma. Uma pessoa que fuma um maço por dia, corre um risco 10 vezes maior do que um não fumador de contrair cancro das vias respiratórias. Se fumar dois maços, o risco aumenta exponencialmente (25 vezes). Noventa por cento das mortes por cancro de pulmão são devidos ao uso do tabaco, ou seja, são perfeitamente evitáveis. Ao diminuir, ou abandonar o hábito de fumar, reduz-se o risco. Ao fim de 10 anos sem tabaco, o risco é quase igual ao de um não fumador. Além disso, o fumo do tabaco também produz outros problemas respiratórios de tipo não tumoral, como sejam a bronquite crónica, o enfisema pulmonar e a insuficiência respiratória. É conhecida a tosse crónica, com expectoração, típica dos fumadores. A acção irritante das numerosas substâncias do fumo paralisa a acção dos cílios vibráteis

existentes nas paredes da traqueia e dos brônquios, impedindo assim que expulsem das vias aéreas as substâncias e resíduos agressivos para o organismo. Aumenta, assim, o risco de pneumonias, de traqueobronquites e de infecções das vias respiratórias.

Sistema Neuropsíquico
Como dissemos antes, a nicotina é um alcalóide que provoca dependência. O fumador depende do seu cigarro e do seu hábito de fumar. Quando não inala nicotina sente-se realmente mal. Não existe só um síndroma de dependência física, como na maioria das toxicodependências, mas também uma dependência emocional e psicológica. Muitas vezes, a deterioração neuropsíquica é consequência directa da deterioração cardiovascular. O tecido nervoso é extremamente delicado e a mínima diminuição da irrigação sanguínea pode provocar o seu desequilíbrio. Se houver uma paragem, ainda que momentânea, do fluxo sanguíneo nessa zona, produz-se a destruição de células nervosas, que não são substituídas. A insuficiência de irrigação no tecido nervoso pode provocar perdas de memória, transtornos de visão ou perda das funções anatómicas, chegando até à hemiplegia.

Fumar na Gravidez
A nicotina provoca a diminuição do fluxo sanguíneo para a placenta, fazendo com que o feto receba menos sangue, menos oxigénio e menos alimento. Esta situação, já de si muito perigosa, é ainda mais grave devido ao monóxido de carbono. Está provado que os bebés de mães que fumam mais de 10 cigarros por dia costumam nascer com entre 150g e 350g de peso inferior ao normal, mas, pior ainda, podem apresentar problemas motores e psíquicos. Além disso, o uso do tabaco durante a gravidez aumenta o risco de morte do feto ou do recém-nascido.

O Fumador Passivo
Todos assistimos ao “combate” entre os fumadores e não fumadores, cada um pugnando pelos seus “direitos”: uns exigindo a liberdade de fumar a seu bel-prazer, os outros exigindo respeito pela sua saúde e pela sua opção de não fumar. Há uma frase que define um pouco o que se passa: Quem fuma envenena-se a si e aos outros. A pessoa que não fuma e que vive com um fumador corre o risco de um lento processo de intoxicação. Calcula-se em 1% o número de mortes devidas à absorção passiva do fumo do tabaco. Imagine-se o efeito nocivo que pode ter sobre a saúde psíquica, emocional e física de uma criança o uso de tabaco dentro de um lar. Essa criança estará permanentemente sujeita a uma poluição evitável, que destruirá muitas das suas defesas e que a predisporá para, mais tarde, ser ela mesma uma fumadora.
A respiração do ar contaminado pelo fumo do tabaco pode agravar doenças já existentes, como são as doenças crónicas do pulmão e das coronárias.

Deixar de Fumar é Possível
O escritor Mark Twain dizia, com algum humor: “Deixar de fumar é a coisa mais fácil do mundo! Eu já o fiz dúzias de vezes.” Na verdade, sondagens feitas revelam que muitos fumadores (80%) gostariam de abandonar o hábito definitivamente.
Têm sido propostos vários métodos para ajudar os fumadores a deixar o hábito, mas, dado que os factores que levaram a pessoa a fumar diferem dos de outras pessoas, esses métodos podem não ser eficazes. Um fumador, a lutar sozinho contra o tabaco, facilmente fracassará, já que se encontra perante um inimigo que actua em várias frentes: através da atmosfera carregada de fumo no trabalho, da incompreensão dos companheiros, dos gestos estereotipados da vida diária (de que não nos damos conta), do café depois da refeição e até do coffee-break no escritório.
A pessoa que decide deixar de fumar tem que enfrentar, além da dependência fisiológica e psicológica, um constante bombardeamento social e (ainda que menor actualmente) publicitário.
Os métodos mais eficazes para ajudar a deixar de fumar são as terapias de grupo, dadas as numerosas possibilidades de apoio que oferecem aos fumadores mais viciados.

A técnica mais conhecida é a do chamado Plano de 5 Dias, actualmente chamado Plano de 8 Dias, que teve início na América em 1959 e que usa apenas meios naturais.
Geralmente, dois responsáveis dirigem o programa: um (médico, enfermeiro ou biólogo), ocupa-se da parte fisiológica, e outro da parte psicológica, que faz uma análise clara e completa das motivações que levaram ao hábito e das dependências criadas. Este método desenvolve a força de vontade do fumador, uma condição imprescindível para o êxito. No decorrer do programa são dadas informações no plano dietético, respiratório e do exercício físico.

Manuel Ferro

Redacção Saúde & Lar

AJUDA O TABACO NO STRESS?

O tabaco tem sido visto por muitos como uma ajuda para lidar com o stresse da vida. As sensações que se conseguem com o seu uso levam as pessoas a puxar, automaticamente, de um cigarro para responder a situações de stresse (um exame, um acidente, uma má notícia) criando-se um ciclo vicioso entre estas e o cigarro. No entanto, quanto mais investigação se realiza sobre os efeitos do tabaco no organismo, mais as conclusões apontam para outros problemas além daqueles que são, tipicamente, associados ao cigarro – como é o cancro do pulmão, da laringe, etc. – abrindo, assim, uma reflexão mais alargada sobre estes malefícios. A questão que se coloca aqui é perceber que, ao contrário da crença comum, o tabaco não ajuda a gerir o stresse. Antes pelo contrário, ele é uma fonte de perturbação para um organismo que está a braços com uma fonte de stresse. Como a vida na actualidade é marcadamente stressante, alguém doente do tabagismo estará em piores condições para gerir o stresse, do que alguém que não está afectado por essa doença. Queremos aqui ajudá-lo a curar-se dessa doença, facilitando a gestão do stresse da vida.

Luís S. Nunes

O stresse, propriamente dito, não é um acontecimento em si mesmo. Não é um cão a ladrar, um carro a buzinar, um bebé a chorar ou um pneu furado. Não é um patrão a ralhar ou uma zanga com o seu cônjuge. Em vez disso, o stresse depende da forma como responder a esses acontecimentos e situações. Qualquer acontecimento, situação, ou até pensamento, que possa despoletar o stresse é chamado “stressante”. E um stressante faz, normalmente, surgir emoções como preocupação, ansiedade, frustração, alarme, medo e raiva. O facto do stresse ser sentido ou não, depende da forma como abarcamos a situação. O que provoca stresse numa pessoa, poderá ter pouco ou nenhum efeito noutra.Do stresse aos stressores
    Embora muitas vezes associemos o stresse com acontecimentos importantes, como a morte ou um acidente, são normalmente as pequenas perturbações do dia-a-dia que levam, eventualmente, a problemas persistentes e dificuldades. Tem muito menor efeito a queda de um avião, acontecimento devastador, mas inesperado e repentino, do que a presença de algo que, durante anos, nos perturba, sem que sejamos capazes de interromper o seu efeito na nossa vida. Pense nesta lista de stressantes, tanto pequenos como grandes, que cada um de nós tem de enfrentar um dia após outro: um atacador partido, um cão a ladrar, torneiras a pingar, um cônjuge que ressona, uma agenda preenchida. Agora, em contraste, os stressantes maiores incluiriam um acidente grave, a perda de um emprego, problemas financeiros, um divórcio, uma doença dolorosa, e a morte de um ente querido ou amigo íntimo. Mas, lembre-se, o stresse depende da sua resposta, e a resposta depende da forma como compreende a situação. Por exemplo: para alguns, um grito agudo a meio da noite é uma irritação que precisa de ser anulada imediatamente; para outros, é uma doce melodia assinalando que um filho querido está a pedir amor. 
    Ambos são confrontados com a mesma situação, mas as suas respostas são diferentes! Portanto, a quantidade de stresse emocional também o é.
Foge ou fica e luta
  Isto deve-se ao facto de que qualquer stressante, quer menor, quer maior, põe o corpo em estado de alerta. Fisiologicamente, é chamado “resposta luta ou foge”, uma vez que prepara o indivíduo para ou ficar firme e lidar com o problema, ou escapar dele.
    Esta reacção de alarme causa profundas mudanças no corpo. Poderemos ficar pálidos à medida que a circulação sanguínea deixa a pele para se dirigir aos órgãos internos. A tensão arterial sobe e o coração bate mais forte. A respiração torna-se mais rápida e poderá ser irregular.
    A gordura e o colesterol no sangue sobem. Aumenta o açúcar no sangue. Os músculos tornam--se mais tensos. A coagulação do sangue torna-se mais rápida. Entretanto, as funções orgânicas que não são necessárias para lidar com a emergência abrandam ou podem até parar temporariamente, tais como a digestão de alimentos nos intestinos ou a eliminação de resíduos através dos rins.
    Portanto, o stresse deveria ser apenas uma resposta de emergência para preparar o corpo para alguma acção defensiva imediata numa situação grave. É claro que o stresse não deveria ser permitido como resposta apropriada para o choro de um bebé, um atacador que se parte, ou um cônjuge a aborrecer-nos.

Mas, lembre-se, o stresse depende da sua resposta, e a resposta depende da forma como compreende a situação. Por exemplo: para alguns, um grito agudo a meio da noite é uma irritação que precisa de ser anulada imediatamente; para outros, é uma doce melodia assinalando que um filho querido está a pedir amor.

A resposta fisiológica aos stressores
 Quando uma situação stressante termina, o corpo irá, gradualmente, voltar ao normal. A pressão sanguínea baixará. O coração e a respiração normalizarão a sua velocidade e ritmo. O colesterol e o açúcar no sangue voltarão aos seus níveis normais, e os músculos relaxar--se-ão e descansarão. Entretanto, os sistemas digestivo e urinário retomarão as suas responsabilidades.
    Mas, e se o acontecimento que despoletou o stresse continuar? O corpo tentará ajustar-se ou adaptar-se à situação. Contudo, isso poderá levar a alguns problemas físicos ou emocionais graves.
    A mulher acaba de saber que o marido teve um acidente grave e está agora na sala de emergências. A ansiedade daí resultante manterá a sua tensão arterial elevada, o seu coração a bater mais depressa, e o açúcar no seu sangue mais alto. Ficará mais tensa e poderá sentir um aperto no peito e um nó no estômago. Quanto tempo poderá o corpo permanecer neste estado de emergência? 
    Se a Maria souber que a vida do João está em perigo, a intensidade do seu stresse aumentará e ela só se poderá adaptar a ele durante um curto período de tempo.
    Por outro lado, se souber que o marido só tem pequenas escoriações, então só ocorrerão mudanças físicas moderadas, que ela poderá manter por um período mais longo.
    O nosso corpo tem uma tremenda capacidade de se ajustar às preocupações do dia-a-dia. Podemos manter esse estado de stresse durante dias, semanas ou, por vezes, até meses sem que se mostre, exteriormente, qualquer prova da luta interior.
    Uma pessoa em boa forma física, e emocionalmente estável, será muito mais capaz de aguentar pressões do que alguém que esteja emocionalmente instável e em má forma física.
    Há uma série de doenças que estão directamente relacionadas com o stresse. Algumas são mais susceptíveis de afligir aqueles que estão em má forma física, enquanto outras ocorrerão naqueles que estão emocionalmente instáveis. E, claro, quem estiver em má forma física e emocionalmente instável estará em piores condições.
    O stresse crónico poderá ter como resultado a hipertensão, úlceras de estômago, problemas cardiovasculares, artrite, alergias e, possivelmente, até cancro.


    Stresse, tabaco e úlceras de estômago
    O que acontece no caso de úlceras de estômago? Na parede do estômago encontram-se dois tipos de glândulas: uma produz ácido clorídrico, a outra, muco. O ácido clorídrico é necessário para a digestão dos alimentos, enquanto o muco forma uma barreira para evitar que o ácido corroa o revestimento do estômago. Normalmente, o fluxo dos dois é equilibrado.
    Contudo, durante os períodos de stresse, a produção de ácido clorídrico poderá aumentar. Na realidade, a quantidade poderá ser tão grande, que a barreira de muco será incapaz de dar a protecção adequada. Gradualmente, o ácido quebrará a barreira e atacará o revestimento do estômago, e formar-se-ão úlceras gástricas dolorosas.
    O stresse prolongado também poderá causar danos nas células que revestem as artérias, que são unidas por juntas. 
    O stresse poderá causar o enrugamento destes pontos de junção. Isso permite que as substâncias gordas do sangue se introduzam nos tecidos internos. As provas sugerem que isso poderá iniciar o acumular de depósitos de gordura, um estreitamento das artérias e um possível ataque cardíaco.
    Antes de avançarmos mais, vamos rever algumas das respostas físicas normalmente observadas no stresse:
    1. coagulação do sangue mais rápida
    2. aumento da tensão arterial
    3. aumento do colesterol no sangue
    4. aumento de úlceras pépticas, e
    5. enrugamento do revestimento das artérias.
    Os efeitos da nicotina obtidos por fumar apenas um cigarro são muito similares aos produzidos pelo stresse. Isso significa que a pessoa que fuma, enquanto está sob stresse, está em duplo perigo.
    Uma vez que a nicotina é tratada como um stressante no organismo, e provoca reacções de alarme, porque é que os fumadores acendem um cigarro quando estão sob condições de stresse e afirmam que fumar lhes proporciona um efeito sedativo, calmante?
    Já vimos anteriormente como a nicotina estimula os centros de recompensa do cérebro. Este estímulo desperta um sentimento de relaxe e talvez de contentamento.
    Contudo, este sentimento de contentamento não é mais do que uma “ilusão agradável”. A nicotina tem, na realidade, dois efeitos. Além da ilusão agradável, também desperta as suas próprias respostas ao stresse. Por isso, fumar, na verdade, não o ajuda.
    O stresse causado pela nicotina provoca danos físicos. A ilusão agradável do fumo é apenas um “remendo” por um momento – meramente um escape induzido quimicamente que, na realidade, enfraquece, em vez de fortalecer o fumador.
    Enquanto vivermos neste mundo, haverá alturas, muitas alturas, em que teremos situações stressantes. A questão é: “O que fazer nessas ocasiões?” Há melhores soluções do que acender um cigarro.
    Sabiamente, resolveu ver-se livre do tabaco e pode ter a certeza de que fez a escolha certa.


Contudo, este sentimento de contentamento não é mais do que uma “ilusão agradável”. A nicotina tem, na realidade, dois efeitos. Além da ilusão agradável, também desperta as suas próprias respostas ao stresse. 
Por isso, fumar, na verdade, não o ajuda.
 Perguntas e respostas para gerir o stresse,
Para ultrapassar, com sucesso, os acontecimentos stressantes, tem de, primeiro, reconhecer a situação. Em vez de dizer: “Porque é que isto me aconteceu?”, tome o controlo e diga a si próprio: “O que é que posso fazer?” Isso ajudá-lo-á a analisar melhor a situação e a escolher a resposta apropriada.
    Depois, pergunte-se: “Vale a pena fumar? E, se eu fumar, isso irá ajudar-me a lidar melhor com o problema, ou será pior a emenda que o soneto?”
    As emoções, originadas por acontecimentos stressantes, podem ser expressadas ou restringidas.
    Expressar a raiva, o ódio, a frustração ou o desânimo só reforçará estas emoções. Quanto mais se faz isso, mais fácil se torna deixar vir ao de cima as suas reacções stressantes.
    Por outro lado, reprimir estas emoções poderá causar uma perturbação física. Nesse caso, o que se deve fazer?
    Aqui estão algumas sugestões que ajudaram outras pessoas, que deixaram de fumar, a lidar com emoções perturbadoras durante situações de stresse:
Não reaja de imediato. Uma situação poderá não ser tão má como parece.
Não deixe que uma situação de stresse faça surgir, em si, sentimentos de: raiva, ódio, frustração, ciúmes, depressão, tristeza ou outro parecido.
Não culpe os outros.
Não culpe as circunstâncias. E não se culpe.
Em vez disso, gaste uns momentos a pensar nas coisas. Ao reagir de maneira calma a sua mente poderá analisar melhor o problema, será mais capaz de enfrentar a situação e é provável que venha a achar a melhor solução.
 Mas, faça o que fizer, não pegue num cigarro. Em vez disso, comece a pôr em prática os princípios de que falámos anteriormente.
Ao fazê-lo, sentirá que lidará melhor com situações irritantes, terá mais gosto pela vida e, tudo isso, como não-fumador.
S&L
adaptado Luís S. Nunes
Sociólogo da Medicina e da Saúde, 
Mestre em Saúde Pública

A VÍTIMA inocente do Tabagismo

Há já mais de 30 anos, tive a oportunidade de escrever nestas páginas uma primeira abordagem acerca dos efeitos nefastos do tabaco sobre a criança, a sua vítima mais inocente. Confesso que tive então a esperança de que, já cinco anos decorridos deste século XXI, este assunto fosse apenas uma má recordação. Desde há alguns anos que a OMS em geral, e alguns países em particular (como a Noruega), tinham começado a equacionar um ano 2000 sem tabaco. Este já lá vai e tudo continua como antes!
Se, em alguns países, o tabagismo masculino conhece alguma regressão, ele tem sido substituído, cada vez mais e cada vez mais cedo, pelo tabagismo no feminino, com um concomitante aumento das doenças relacionadas com o tabaco nas mulheres e, muito naturalmente, também nas crianças.
A influência tão prejudicial do tabagismo na criança pode começar ainda antes de ela ser concebida. Na realidade, vários estudos epidemiológicos demonstram que nas mulheres fumadoras há uma frequência de esterilidade da ordem dos 21 por cento, em comparação com 14 por cento nas não fumadoras. Uma das causas será o facto da nicotina libertar certas substâncias que vão alterar os movimentos das trompas. Daí, também, a maior frequência das gravidezes tubárias nas fumadoras. Também os espermatozóides do pai podem ser afectados pelo tabaco. O seu esperma será menos rico em espermatozóides e estes terão mais vezes anomalias e menos mobilidade, por acção directa da nicotina.


Mas, uma vez o bebé concebido, os seus problemas não ficam por aí, se os pais, sobretudo a mãe, forem fumadores.
Depois do nascimento, se os pais fumam, sobretudo a mãe, a vida da criança pode ser grandemente afectada, dado que ela se torna numa fumadora passiva.
Se não, vejamos:
Se depois do nascimento a mãe fumadora amamentar o pequenino ser, como a nicotina passa para o leite materno, a sua acção nociva continua a fazer-se sentir sobre o lactente. Neste leite nicotinizado já foi encontrada nicotina na percentagem de 0,5 mg por litro. Numa mãe que tenha fumado pouco tempo antes de amamentar, a frequência cardíaca do bebé pode pas-sar dos normais 120 batimentos por minuto, para 180, com os riscos inerentes sobre um órgão tão sensível.
O risco da chamada Síndroma da Morte Súbita do Lactente é também maior com mães fumadoras e que fumaram durante a gravidez, sendo tanto maior consoante o número de cigarros fumados pela mãe. A isquemia (falta de oxigénio) fetal causada pela vasoconstrição parece ser o mecanismo que potencializa esta dramática situação.
Mas é sobre o seu aparelho respiratório que o tabagismo passivo das crianças deixa as maiores marcas. A tal ponto que surgiu mesmo uma nova patologia que, de forma muito elucidativa, dá pelo nome de “Pais que fumam, crianças que tossem”. A tosse crónica, por vezes levando ao vómito, é o seu sintoma mais frequente (73% dos casos), podendo ser acompanhada de sufocação. Vêm, em seguida, as bronquites de repetição (33%), a asma do lactente (17%), as rinofaringites (13%) e as laringites recidivantes. Notam-se, muitas vezes, sintomas de irritação aguda do aparelho respiratório, sobretudo depois de reuniões familiares (em especial ao fim de semana) em que se juntam vários fumadores: irritação nasal e das conjuntivas oculares, bronquite, traqueíte espasmódica. Estas reuniões são, também, responsáveis pela chamada síndroma da segunda-feira de manhã, bem conhecida dos professores, em que as crianças passam toda a manhã a tossir na escola.
São, também, mais frequentes nos filhos de mães fumadoras as bronquiolites agudas, tão vulgarizadas hoje em dia, em que, apesar dos riscos que lhe são inerentes, as crianças estão melhor no infantário do que em casa com uma mãe fumadora.
Outra situação que pode ser desencadeada pelo tabaco é a otite média aguda e a otite serosa, do lactente e da criança pequena. Globalmente, a taxa de otite serosa é mais elevada em 38% nas crianças submetidas ao tabagismo passivo, sobretudo por parte da mãe. Isso comprova-se pela detecção de taxas elevadas de cotinina (metabolito da nicotina), na urina das crianças afectadas. A exposição passiva destas crianças ao fumo do cigarro actua como irritante do revestimento das vias respiratórias, tendo um efeito adverso sobre os movimentos dos cílios e a consistência do muco que, normalmente, mantêm limpas estas vias.
A agravar a situação, estudos recentes demonstram que as crianças expostas ao fumo do tabaco apresentam níveis mais altos de IgE no sangue (proteína que indicia a existência de alergia), testes cutâneos mais positivos aos pólens e desenvolvem doenças respiratórias em idades mais precoces do que as que não vivem rodeadas de fumo de tabaco.
Infelizmente, nos nossos dias, a um crescente aumento do número de mães fumadoras há que juntar, logicamente, um crescente aumento de crianças que fumam, elas próprias e em idades cada vez mais precoces. Está provado que as alterações ao nível dos brônquios, verificadas nestas crianças, são tanto mais importantes e duradouras, quanto mais precocemente se iniciarem no vício. Tem sido afirmado até que estas alterações, que mais tarde podem levar a problemas graves e potencialmente incapacitantes e até mortais, como o enfisema pulmonar, serão irreversíveis, mesmo que o jovem venha depois a deixar de fumar. Basta, para isso, que fume 5 ou mais cigarros por dia.
Igualmente, a criança ou o adolescente que fuma vê o seu rendimento escolar diminuído, sendo o uso do tabaco factor importante de insucesso escolar. Igualmente, o tabagismo juvenil produz deficiências vitamínicas, perturbações da nutrição e desajustamentos mentais e sociais. Pode ser também a plataforma de lançamento de outras toxicodependências, ainda mais
graves, como a marijuana e mesmo as drogas duras.
Muito mais haveria a dizer se mais espaço houvesse. Apenas mais uma referência à acção do tabaco no aparelho digestivo do jovem, com diminuição das secreções do pâncreas e aumento da alcalinidade do duodeno, factores que contribuem para as frequentes úlceras duodenais da adolescência.
Por último, não queremos deixar de falar nos perigos do cigarro como causador de incêndios de que, tantas vezes, as crianças são as principais vítimas. Estima-se que o cigarro seja o causador de 45% de todos os fogos e de entre 22-56% das mortes por fogos domésticos. A maior parte dos cigarros contêm aditivos, quer no papel quer no tabaco, que lhes permitem arder até durante 28 minutos, quando deixados sozinhos.
A juventude é a idade da imitação e os jovens dos nossos dias vivem e procedem cada vez mais como o grupo em que se integram. É necessário ser quase um herói para recusar o cigarro que os colegas lhe estendem, sobretudo porque o hábito de fumar é por muitos considerado como uma forma de libertação e de afirmação pessoal.
Haverá sempre crianças a fumar enquanto houver adultos que o façam. Que moral têm um pai ou mãe para aconselharem o filho a não fumar quando eles próprios fumam? Mas o tabagismo, quer passivo quer activo, é um grande risco para a criança e para o jovem. Se o melhor da vida é a criança, desafio todos os pais que me lêem a libertarem os seus filhos que um dia hão-de nascer, que estão para nascer ou que já nasceram e estão a crescer, deste terrível flagelo. SL 

Bibliografia

- Nelson: “Textbook of Pediatrics”
- Oski: “Principles and Practice of Pediatrics”
- Cadernos de Imuno-Alergologia Pediátrica
- Maria da Conceição Granate: “ Fumar e ... Adoecer”
– Samuel Ribeiro: Projecto “Tabaco ou Saúde”, “ o Tabaco e o Cancro do Pulmão” (1963) e “Saúde e Lar” (1973, 1979 e 1985).

Samuel Ribeiro
Pediatra

Vantagens em Deixar de Fumar


Após um acidente cardiovascular agudo, a suspensão do tabaco faz com que o risco de se ter novo acidente se reduza para 50%.
Estima-se que em Portugal, segundo dados da Fundação Portuguesa de Cardiologia, existam cerca de 23% de fumadores, ou seja que em cada 4 pessoas, 1 seja fumadora, com predominância no sexo masculino, embora esta relação se esteja a alterar pelo facto de as raparigas estarem a fumar mais que os rapazes, o que é extremamente preocupante, porque a associação pílula e tabaco traz  riscos vasculares muito acrescidos.
A maioria dos fumadores começa a fumar na adolescência, estimando-se que cerca de 80% dos fumadores comece a fumar antes dos 18 anos. Só nos EUA, segundo dados da American Heart Association (AHA), 3000 jovens começam a fumar diariamente e, destes, 1000 morrerão um dia de doença cardiovascular.
O tabagismo, considerado pela AHA como fazendo parte das toxicodependências (a par das outras dependências), foi associado durante longos anos ao prazer e à libertação do “eu”. Posteriormente, foi reconhecido, pela comunidade médica internacional, que era nefasto à saúde e foi associado às doenças pulmonares, como o cancro do Pulmão, a Bronquite Crónica e o Enfisema Pulmonar.
Sabe-se, já há vários anos, desde a publicação do Estudo Framingham na década de 70, que o tabagismo tem malefícios muito mais vastos, tendo uma relação directa com as doenças cardiovasculares. Qualquer fumador corrente, tem um risco muito mais acrescido de vir a ter problemas graves no seu sistema vascular, sendo que a Sociedade Europeia de Cardiologia considera “Fumador Corrente” qualquer pessoa que tenha fumado no último ano 1 ou mais cigarros por dia.
A Nicotina induz, por efeitos directos, um  aumento da Pressão Arterial e da Frequência Cardíaca e constrição das artérias. Mas a nicotina não é o único elemento nefasto no cigarro. Também o monóxido de carbono entra no sangue e reduz a quantidade de Oxigénio disponível para o coração e outras partes do corpo. O tabaco interfere ainda com a função das plaquetas (elementos do sangue que servem para parar uma hemorragia) e acelera a sua agregação, fazendo com que o sangue se torne mais espesso, e coagule mais facilmente.
Para além destes efeitos directos, o tabaco acelera os outros factores de risco que sabemos terem uma relação directa com a aterosclerose (as placas intravasculares): agrava a hipertensão arterial, baixa o colesterol “bom”.
Assim sendo, o tabagismo é um factor de aterosclerose, e é considerado por todas as Sociedades de Cardiologia um “factor  major” de doença cardiovascular, a par da Hipertensão arterial, da Diabetes, da Dislipidémia, da Obesidade. A probabilidade de se formarem placas de aterosclerose aumenta de forma exponencial à medida que os vários factores de risco vão estando associados. As artérias vão ficando progressivamente obstruídas, menos elásticas, e acabam por ocluir em territórios diversos,  como  o Cérebro, o Coração ou os Membros inferiores. As consequências poderão ser catastróficas: os indivíduos podem ficar paralisados, sem fala, ou terem que ser amputados dos seus membros.
Está hoje claramente comprovado que o Tabagismo está fortemente associado ao Enfarte Agudo do Miocárdio, à Morte Súbita de origem cardíaca e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O Registo Nacional dos Síndromas Coronários Agudos, realizado pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, mostra que cerca de 31% dos Portugueses que têm um Enfarte Agudo do Miocárdio ou uma Angina Instável,  são fumadores activos (segundo o relatório de 2003).
O indivíduo que fumar 1 maço de cigarros /dia tem um risco duas vezes superior de ter um ataque cardíaco que um não fumador.
Um indivíduo que já tenha tido um acidente cardiovascular agudo e continue a fumar tem um risco muito mais acrescido de ter um novo acidente que um indivíduo que tenha parado de fumar, e tem  um risco muito maior deste novo acidente ser mais extenso e ter consequências mais graves que o primeiro.
Está claramente demonstrado que o parar de fumar reduz o risco vascular.
Independentemente do tempo que se fuma, o risco cardiovascular começa logo a baixar quando se pára de fumar. Um ano após a interrupção, o risco de ataque cardíaco reduz-se  para cerca de metade.
Após um acidente cardiovascular agudo, a suspensão do tabaco faz com que o risco de se ter novo acidente se reduza para 50%. Todavia, neste caso, só após 15 anos de interrupção o risco é comparável ao de um indivíduo que nunca fumou, tais são os malefícios do tabaco.
Não se deve esperar então por ter um ataque cardíaco ou um AVC para se decidir parar de fumar. Esta fase é já tardia. Deve-se parar de fumar enquanto se está a tempo. Deve-se parar de fumar agora!
Esta tarefa pode não ser fácil, os médicos sabem que não é. A par da dependência física da nicotina, existe toda uma vertente psicológica que é difícil de contornar. Para deixar de fumar é preciso muita motivação, muita força de vontade, e é este o factor decisivo. SL
 

Independentemente do tempo que se fuma, o risco cardiovascular começa logo a baixar quando se pára de fumar. Um ano após a interrupção, o risco de ataque cardíaco reduz-se  para cerca de metade.
Madalena Carvalho
Cardiologista

SÓ UMA VEZ?


A S&L ... LEU... POR SI: PÁGINA DO INSTITUTO DA DROGA E DA TOXICODEPENDÊNCIA

Quando se pretende conhecer melhor a realidade do consumo de drogas em Portugal, um dos melhores sítios a visitar é a página do Instituto da Droga e da Toxicodependência.
O “IDT tem por missão garantir a unidade intrínseca do planeamento, da concepção, da gestão, da fiscalização e da avaliação das diversas fases da prevenção, do tratamento e da reinserção no domínio da droga e da toxicodependência, na perspectiva da melhor eficácia da coordenação e execução das políticas e estratégias definidas”.
Assim, se deseja conhecer os projectos em curso em Portugal, nesta área, informação sobre a evolução da situação das toxicodependências, locais onde obter ajuda, para além de um número vasto de outros conteúdos importantes, é aqui onde deve começar a sua viagem: www.idt.pt
 

“COMO CRIAR FILHOS DELINQUENTES”
 
A polícia de Houston, Texas, distribuiu um folheto com o título “Como criar filhos delinquentes” que dizia o seguinte:
- Dê-lhes tudo o que quiserem. Assim, acreditarão que têm o direito de obter tudo o que desejam.
- Ria-se quando disserem palavrões. Crescerão a pensar que o que é grosseiro é divertido.
- Nunca os oriente na área espiritual para que não receba a sua influência. Outros tratarão de o fazer.
- Não repreenda e muito menos discipline o seu mau comportamento. Pensarão que tudo é permitido, que as leis não servem para nada.
- Arrume tudo o que deixarem desarrumado. Crerão que os outros devem arcar com as responsabilidades que a eles competem.
- Permita que vejam qualquer programa de televisão. Dessa forma crescerão com uma mentalidade “aberta” e “desinibida” para com qualquer tipo de situação.
- Dê-lhes todo o dinheiro que peçam. Assim, pensarão que é fácil obter dinheiro e não hesitarão em roubar para o conseguirem.
S4/S&L
 


SÓ UMA VEZ?
Para quem acha que usar drogas uma vez só não faz mal, a ciência tem novidades: Uma única dose de cocaína pode modificar a maneira como as ligações nervosas (sinapses) transmitem sinais na parte do cérebro envolvida no mecanismo do vício. A potenciação – processo em que os neurónios se tornam fortemente interligados – é observada até uma semana depois do uso de cocaína. Duas horas de prazer fazem com que, durante uma semana, a pessoa queira mais. A cocaína produz uma mudança na actividade do cérebro que, basicamente, usa o mesmo mecanismo que o processo normal de aprendizagem e memória, mas numa região diferente. Quer ficar seguro? Não use drogas, nunca.
V&S/S&L

DIA INTERNACIONAL CONTRA A DROGA

Segundo um estudo recente realizado pela Agência Europeia da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), sediada em Lisboa, muitos jovens europeus estão a experimentar novas drogas alucinogénicas derivadas de cogumelos. A apresentação deste estudo realizou-se no Dia Internacional Contra a Droga, que teve lugar no passado dia 26 de Junho.
Lojas de venda livre, na Holanda, e outras formas de difusão na Irlanda e Reino Unido, desempenharam um papel difusor dos cogumelos “mágicos” no fim da década de 90 e no princípio da década de 2000. A Internet foi outro factor que muito contribuiu para a sua disseminação, oferecendo um sem número de sites que vendem a droga directamente online. Hoje, há inúmeros websites na União Europeia que fornecem um marketing multilinguístico e um comércio electrónico destas drogas com entregas directas ao domicílio.
Perante esta tremenda ameaça, esperamos que venham muitos mais Dias Internacionais Contra a Droga!
EMCDDA/ SL

EXERCÍCIO FÍSICO E CONTROLO DE DIABETES

O exercício físico regular melhora o controlo da diabetes em crianças com diabetes tipo 1, sem provocar o risco de hipoglicémia, afirmam investigadores da Universidade de Bonn. Estudos anteriores tinham levantado dúvidas neste aspecto.
Os investigadores avaliaram 18 392 crianças e jovens entre os 3 e os 20 anos de idade, sofrendo de diabetes tipo 1 e tratadas em centros médicos da Alemanha e da Áustria, de acordo com a sua actividade física. Foram divididos em três grupos: nenhuma actividade física regular (8589 sujeitos); prática de exercício uma a duas vezes por semana (7056); mais de três vezes por semana (3498).
A actividade física foi responsável por uma diminuição dos níveis de hemoglobina glicosilada em todas as crianças de ambos os sexos estudadas. Baixou 30% nas que praticavam exercício físico uma a duas vezes por semana e 37% nas que praticavam 3 ou mais vezes por semana.
Para além disso, a actividade física regular foi associada a um abaixamento da massa corporal, com correspondente diminuição da dose exigida de insulina nos rapazes com 9 anos e mais velhos.
A actividade física regular não foi relacionada com aumento de episódios de hipoglicémia significativos, desde que o jovem aprenda a equilibrar a sua dose de insulina em relação com a ingestão de hidratos de carbono, antes do exercício físico.

*Arch.Pediatr.Adolesc.Med. / SL

PARA UMA VIDA ABUNDANTE --- ÁGUA ABUNDANTE

INTRODUÇÃO
Quando penso em vida abundante, uma das imagens que me vem logo à mente é a de um anúncio televisivo de uma marca de pilhas, cujos bonecos (por si activados) nunca mais paravam. As pilhas eram identificadas como pilhas “AA”, de alcalinas. 
Com esta imagem podemos facilmente olhar para a condição procurada por tantas pessoas para combaterem o cansaço, e manterem-se activas, como aqueles brinquedos alimentados longamente pelas pilhas AA. Pois uma das melhores, mais baratas e mais fáceis maneiras de obter essa energia é com uma palavra começada por “A” e terminada por outro “A”: ÁguA!

A vida não é possível sem água, e o seu uso correcto é fonte de saúde. Este elemento é um dos mais potentes remédios naturais que alguma vez existiram para a cura da doença. 
A água constitui a mais alta percentagem de composição do organismo. Grande parte dos órgãos, como o estômago, o pâncreas, o fígado e o cérebro, são fundamentalmente água. Por exemplo: o cérebro é composto por 75% de água. Sem ela, nenhuma célula consegue viver, nada se pode processar no nosso organismo. O nosso corpo é composto por inumeráveis pequenas fábricas dependentes da água, que armazenam milhares de outras unidades altamente diversificadas e todas elas dependentes da água, que compõe a matéria da vida. Muitas dores de cabeça são devidas à ausência de água suficiente nesta zona do corpo.
Se é tão importante, de quanto necessito de AA por dia?
Uma média de 60 por cento do peso corporal é água. A água é o principal constituinte do organismo. Portanto, numa pessoa que pese 60 kg, 36 kg são água!
A quantidade de água de que uma pessoa necessita depende do seu peso. O indivíduo médio necessita de, pelo menos, oito copos por dia, para substituir a água que perde. Uma pessoa com 75 kg, precisa de 2,3 litros (cerca de 9 copos, capacidade média do copo 2,5 dl). 
Os rins filtram mais de 20 litros por dia. Necessitamos de 10-12 copos de água por dia para manter este sistema em óptimo funcionamento.
Como é regulada a necessidade de AA (ingestão e excreção)
A hormona antidiurética, ADH (vasopressina) é produzida pela hipófise, uma glândula cerebral. Para além de outras funções, esta hormona verifica e controla a água contida no nosso organismo. É o relógio dos rins, determinando a quantidade de água que deve ser expelida ou conservada. Devido ao ciclo biológico vital, o seu funcionamento é diferente consoante se trate do dia ou da noite. Esta glândula liberta mais vasopressina quando a pessoa dorme de noite, havendo assim produção de urina inferior. 
Com o estilo de vida moderno, caracterizado pelo prolongamento das horas de trabalho pela noite dentro, utilização de luz artificial, entre outras consequências, originam-se alterações profundas no funcionamento hormonal, nomeadamente na hipófise. Isto permitiria perceber por que razão o ser humano moderno não se pode regular simplesmente pelo “instinto”, no que diz respeito à satisfação dos seus níveis hídricos diários. Muitas pessoas não entram com esta variável na equação da sua vida, e pensam que não precisam de mais água do que aquela que a sua sede determina. É neste ciclo de pensamento que muitos aceitam como natural não beberem água. Infelizmente, isto acarreta graves problemas para a saúde, impedindo uma vida abundante.
Como saber se tenho bebido a AA suficiente?
Uma regra simples é a de beber o suficiente para manter a sua urina clara. O corpo perde cerca de 10 a 12 copos de água por dia através da pele, dos pulmões, da urina e das fezes. A comida fornece 2 a 4 copos de água, deixando-nos cerca de 6-8 copos de água para beber. Uma maneira de se certificar de que bebe a quantidade diária necessária é bebendo 2 copos quando acorda de manhã. Faça-o antes de ser apanhado pelas actividades do dia. Com 2 copos já bebidos, só terá de beber mais 4 a 6 durante o resto do dia. Assim, distribua-os deste modo: 2 a meio da manhã, 2 a meio da tarde e 2 antes do jantar. Não espere até ter sede, pois desse modo não beberá o suficiente.
O poder da AA
O velho ditado português explicita uma verdade confirmada em muitas áreas da vida natural e humana: Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura!
Para percebermos o impacto da água no cansaço humano, podemos considerar uma experiência na qual o Dr. G. C. Pitts submeteu atletas a consumos diferentes de água. 
Assim se constatou que o consumo de água aumenta a resistência, particularmente se o tempo está quente. Isto acontece porque a água permite regular a temperatura do corpo, pois a sua ingestão diminui a temperatura. 
Num tapete, os atletas andavam à velocidade média de 5,5 km por hora num ambiente quente. Depois, estes atletas foram divididos em vários grupos:
– no primeiro grupo, os atletas não beberam água; 
– num segundo, beberam a água que quiseram para matar a sua sede;
– num terceiro grupo, foram forçados a beber quantidades que equivaliam à quantidade que tinham perdido através da transpiração.
Os resultados deste estudo realizado na Escola de Saúde Pública da Universidade de Howard, em Washington, revelaram as seguintes conclusões: 
– na primeira experiência os atletas correram três horas e meia e pararam de exaustão; 
– na segunda experiência, mantiveram-se activos no tapete seis horas até pararem; 
– na terceira experiência, ao fim de 7 horas ainda tinham capacidade de prosseguirem com a sua actividade no tapete.
Outra consequência do consumo de água foi a de que, quando os atletas bebiam água equivalente à que tinham perdido, a temperatura do corpo não aumentava. Por outro lado, concluiu-se que, quando estes atletas bebiam apenas a quantidade que queriam, bebiam menos um terço do que gastavam na transpiração. 
Finalmente e como conclusão, está a influência sobre o metabolismo, resultante do consumo de água: o organismo produz constantemente matéria tóxica fruto do seu funcionamento. Impedir que esta matéria se acumule no organismo é uma das funções da água que ajuda os órgãos a funcionarem melhor com a sua limpeza. Assim se evita – com a eliminação da toxicidade do organismo – o cansaço natural de órgãos e células.
Concluindo: para uma vida abundante consuma água abundante!

Luís Nunes
Sociólogo da Medicina e da Saúde
Mestre em Saúde Pública